23/02/2009

Chegando na Itália, a porta de entrada não poderia ser mais maravilhosa: Milão

(Veja o álbum de fotos completo clicando acima)

Milão é tudo do bom! Bão de mais da conta, como se diz em BH. Uma cidade que consegue conservar o passado histórico com os benefícios da vida moderna de uma grande metrópole. Porém, sem o caos de trânsito e violência de São Paulo. Só para comparar um número entre as duas cidades, aqui são em torno de 3 milhões de pessoas contra 14 milhões.

DSC091 (8)

Quando cheguei aqui, minha mãe veio me receber para me levar a Pisa. Passamos aqui tres dias para conhecer umpouco a cidade e confesso que fiquei surpreendido positivamente. Depois que cheguei no dia 17, fomos direto para o Albergue da Juventude – Piero Rotta, que recomendo pela organização e relação custo benefício. Descansamos, fomos fazer umas pequenas compras e comer.

No segundo dia fomos a Scorso Buenos Aires, uma rua com muitas lojas de custo acessível para quem quer comprar roupas e acessórios com design italianos, mas não querem gastar muito. Como pegamos o final do inverno, foi bom pegar as promoções. Recomendo a loja Upim de departamento, com coisas boas e baratas. Quando forem fazer uma refeição, procurem sempre olhar os preços antes sentar a mesa. As vezes locais que não aparentam serem caros podem te levar 50 a 70 euros facilmente em um almoço para dois. Não tenham vergonha pessam Scusi (desculpas) e procurem mais. Outra dica, procurem restaurantes com menu turístico ou menu fisso (fixo), que com pouco dinheiro se tem uma refeição completa incluindo vinho ou água.

DSC091 (15)

Depois fomos conhecer o famoso Duomo. Literalmente quase cai ao não ver um degrau por estar babando na grandiosidade e imponência da construção. No outro dia fomos conhecer a parte interna, que também é fantástico. Se quiserem ver todas as fotos entrem no album de fotos da página inicial do blog. A praça do duomo é efervecente, com gente de todos os lugares do mundo e ao lado a Galeria Vitório Emanuele, palazzi (prédios) maravilhosos, e nestes dias em especial, um museu do rock, que nos presenteou com uma apresentação excelente de uma banda local.

DSC091 (19) DSC091 (49)

No dia seguinte fomos ao Castello Sforzesco, que pertenceu a família Sforza que governou ao reino/cidade de Milão. Impressionante as muralhas e o pequeno quintal de 300ha, que já foi até plantação de trigo durante a 2ª guerra, mas hoje tem toda a vegetação restaurada. Hoje funcionam bons museus e arquivos, que claro a museólaga que me acompanhava quis conhecer. Vimos até mumias egípicias.

Neste mesmo dia a noite fomos “salvar” nosso primo Beto Laguardia, que chegava a Milão para pegar sua cidadania italiana. Foi fantástico conhece lo porque ele foi o primeiro da família da minha mãe a buscar e conseguir juntar todos os documentos necessários. Teve a grande coragem de ficar em Milão por 3 meses, passando por dificuldades e sem conseguir emprego. Desde outubro vinhamos trocando mensagens e nos falando por MSN e finalmente nos conhecemos depois que ele retornou de suas férias no Brasil.

DSC091 (30)DSC091 (40)

No último dia em Milão vivemos o momento de alegria do Beto de conseguir a identidade italiana, que fiz questão de registrar. Também fomos a Via Tommaso Grossi, a fantástita Galeria Vitorio Emanuele e conhecer a parte interna do Duomo. A Galeria tem boutiques famosas, restaurantes cafés e muita, muita gente. Foi muito legal poder passar esse dia com o Beto e poder comemorar com ele a alegria. Espero em algumas semanas postar uma foto minha parecida com esta dele.

                          DSC091 (43)                DSC091 (48)

DSC091 (47)

Senti que esta é uma cidade que me agradaria muito morar, pela beleza, diversidade cultural e ser uma grande metrópole. Não deu para conhecer tudo em três dias, faltaram diversos museus importantes, o Teatro Scala, os parques, as feiras, mas tenho certeza que vamos fazer as oportunidades acontecerem para voltar aqui e conhecer mais um pouco.

Foram muito bons os dias passados aqui; não deu vontagem de ir embora não, mas o dever me chamava em Pisa. Tive que ser levado puxado pela orelha, ainda bem que minha mamãe estava lá.

30/11/2008

Preparando os documentos para a cidadania – 1ª Parte:

Muita gente tem me perguntado como descobri e preparei os documentos para a cidadania. Vou escrever um pouco sobre isso, que foram os primeiros passos. No meu caso e da Lívia não fomos os pioneiros em nossa família, o que facilitou bastante para queimar algumas etapas. O que se deve fazer é conversar com as pessoas mais velhas da família e descrever sua linha genealógica até o ansestral italiano, colocando as datas de nascimento, casamento e óbito. Veja os nossos exemplos abaixo:

image

 imageimage 

As datas são muito importantes porque a lei italiana para a cidadania depende de quando nasceram, e o sexo dos antepassados. Exemplo: os filhos e neto de mulhere italiana só tem direito se tiverem nascido após 1948. Não é minha intensão aqui fazer um compêndio da lei, pois isso é facilmente encontrado nos diversos sites de consulados e embaixada italiana. Se tiver alguma dúvida específica posso tentar esclarecer. Um site muito interessante é o www.familysearch.com, da igreja dos mórmons. Como eles acreditam que se pode pedir a Deus pela salvação dos antepassados, criaram um arquivo imenso com informações de cartórios de todo o mundo. Mas geralmente uma boa conversa com os mais velhos da família já resolve o problema.

Não perca tempo fazendo árvores extensas, para mostrar que uma tia ou primo já fez, porque a cidadania é passada para filhos e netos somente. Muitos estão procurando fazer a cidadania italiana porque ela não tem limite para a geração. O meu trisavó Alberto Grossi, nasceu antes da unificação e criação do estado italiano, ocorrido em 1860, mesmos assim todos os seus descentdentes tem direito. A Itália tem sido pressionada dentro da comunidade européia, para mudar esta lei. Em países como Inglaterra, Portugal e Espanha, há um limite para a transmissão entre gerações.

Com a árvore em mãos, procure na família TODAS as certidões de TODOS na árvore. Não se preocupe com tirá-las no cartório agora, basta fotocópias simples mesmo. Agora o mais difícil é alguém da família que tenha as certidões originais do italiano. Se ninguém as tem, procure em certidões brasileiras de casamento ou óbito, por informações sober os nomes dos pais, a cidade ou mesmo a província de nascimento. Existem pessoas que fazem o serviço de busca de documentos aqui na Itália, que cobram menos se tiver a informação precisa da cidade do italiano. Posso até ajudar a procurar ou pegar algum documento se tiver a informação precisa, mas nos casos mais difíceis recomendo que se procure profissional especializado.

No meu caso tivemos a Genevieve Grossi já havia feito uma grande pesquisa por Minas Gerais, em conjunto com o advogado Ivan Nogueira de Belo Horizonte. Eles descobriram documentos na arquidiocese de Mariana e em diversos cartórios de pequenas cidades como Merces, Rio Pomba, Silverânia e Caratinga. Aliás o Ivan ficou tão bom no assunto que hoje é um dos bons especialistas do Brasil no assunto de cidadania: www.passaporteitaliano.com.br. Também preparei os documentos para a minha mãe, também como alternativa para mim, e contei com a ajuda do Beto Laguardia. O avô dele era irmão da minha avó, portanto tinhamos alguns documentos em comum. O mais difícil, documentos da Itália, ele já havia conseguido também.

Com os documentos em mãos, deve se analisar a integridade dos nomes, datas e locais de nascimento. Comece dos documentos mais antigos para os mais novos, se os nomes e sobrenomes dos italianos foram escritos corretamente no Brasil. Os consulados no Brasil e algumas comunes são criteriosos com relação a isto.

No caso da Lívia, os seus bisavôs se chamavam Domenico Barbini e Anastasia Barbini, e tiveram seus nomes traduzidos para Domingos e Anastácia nos documentos de óbito e todos dos seus descendentes. Apesar da recomendação ser a correção judicial dos nomes, neste caso nos pareceu simples e resolvemos tentar aqui na comune, assim mesmo como estão os documentos. Já na família do meu pai, fizemos a correção judicial do meu bisavô, que se chamava José Parvolo Grossi, e teve seu nome erroneamente escrito como José Albertino Grossi nos documentos de meu avô e meu pai.

Com todos os documentos brasileiros corrigidos, deve-se aguardar a convocação do consulado para se fazer os próximos passos. Não são aceitos certidões antigas, mais de 6 meses, portanto não vale a pena pedir aos cartórios as certidões, sem ter sido chamado pelo consulado. Se for fazer o processo aqui na Itália vale a mesma recomendação.

Algumas comunes italianas, especialmente na província de Bolonha, estão pedindo que as certidões sejam de inteiro teor. Não se esqueçam de pedir desta forma aos cartórios. Existe uma recomendação da justiça de minas (não sei se vale para outros estados, de que somente pode-se emitir certidões de inteiro teor com autorização do juiz da comarca. Porém, só tivemos problemas na cidade de Caratinga. Nesta cidade pegamos as certidões simples, enquanto aguardamos os completos. Demourou 2 meses para a liberação porque pegamos o período de férias forenses. Se puderem fujam deste período.

Em nosso caso, tomamos a decisão em outubro de 2008 e em dezembro acabamos de pegar todos os documentos. Aproveitei os dias de despedida da minha mãe, que veio antes para a Itália, para correr algumas cidades no interior. Peguei sol, chuva e neblina nas péssimas estradas mineiras, mas com paisagens belíssimas. Contei muito com a ajuda de meu Pai, do Beto (meu irmão), da Sandra (minha cunhada) e da d’Anna, como carinhosamente chamo minha sogra. Sem eles não teria conseguido a tempo, fica aqui meu agradecimento público a vocês!

          019 img055img056  

Também preparemos os documentos educacionais. Pegamos os históricos escolares do segundo grau, com o reconhecimento de firma do responsável dos colégios, e o reconhecimento da Secretaria de Educação, também com firma reconhecida em cartório.

Tradução dos documentos

Fica para a 2ª Parte