Finalmente conseguimos na semana passada fazer a confirmação de nossa residência. A residência da minha mãe saiu primeiro e a minha e da Lili estava travada. O funcionário que deveria fazer o input no sistema não encontrou o Permesso di Soggiorno. Depois de falar novamente com o chefe do setor, que já havia confirmado a não necessidade do documento, pudemos acertar tudo.
Fizemos até nossa carteira de identidade para estrangeiros:
Claro que todos nós fizemos, para não precisar ficar andando com o passaporte. Notem que ainda aparece a Cittadinanza como Brasiliana, ao menos por enquanto. Espero em alguns meses poder mostrar outra CI com a cidadania italiana.
Aproveito para dar aqui uma dica respondendo também uma pergunta do Marco Aurélio, brasileiro que deve vir a Itália no próximo mês. Qual cidade escolher? É uma pergunta difícil, mas vou tentar fazer um apanhado geral do que li e vivenciei.
Antes de mais nada é preciso entender um pouco a organização política da Itália. A República Italiana é dividida em províncias ao invés de estados, que aliás são em maior número que os estados brasileiros. Existem também as regiões, que possuem autonomia política e econômica. Ex: Pisa, Lucca, Livorno, Pistoia, e Firenzi são províncias da região da Toscana, sendo esta última a capital da região. Dentro da província existe a cidade capital (geralmente com o mesmo nome da província) e outras cidades. Ex: Pisa, San Giuliano Terme, Cascina, Pontedera, Marina di Pisa,… Cada cidade tem um município, que a prefeitura e uma comune, que tem a responsabilidade dos registros de residência, registro civis, cidadania, dentre outros. Não existem os cartórios aqui para estes processos.
Mas voltando a pergunta do Marco Aurélio, segue algumas dicas, que são análises de prós e contras, não uma regra:
- Procure qualquer cidade onde consiga trabalho ou estudo, antes mesmo de sair do Brasil. Isto facilita muito o processo, porque pode sair do Brasil com o visto e logo na primeira semana pedir o Permesso di Soggiorno. Além do mais, o custo de vida na Europa é alto, para nossos padrões de abundância no Brasil, e já ter uma bolsa ou salário ajuda bastante se o processo demorar.
- Não recomendo as cidades muito pequenas. Em geral as comunes destas cidades nunca fizeram um processo de cidadania Juris Sanguinis e não conenhecem os processos e as leis que a regem. Tivemos um caso negativo aqui na comune de San Giuliano Terme e existem outros relatados na internet. Mas tenhho dois casos positivos: Pitigliano (província de Grosseto) e Nova Milanesa (província de Milano), mas acredito serem excessões a regra. Outro ponto é que as cidades menores são mais fechadas para os estrangeiros e tem menor disponibilidade de imóveis e de trabalho.
- Fuja das capitais de região. Apesar de maior disponibilidade de trabalho, estas cidades costumam ter muitos pedidos de cidadania sendo analisados (inclusives de cidadãos que não tem ascendência italiana) e nem sempre tem a extrutura adequada. Milão, Roma, Firenzi e Bologna (esta última em especial) são cidades difíceis. Pontos positivos para estas cidades é que em geral se pode virar bem falando inglês, ou mesmo um italiano macarrônico.
- Cidades turísticas geralmente tem um custo de vida mais alto, como aluguel, alimentação e serviços. Analise bem se consegue contemplar os custos dentro do seu orçamento.
- Se o problema é velocidade, procure uma cidade onde um parente seu já conseguiu a cidadania. Isto sim pode agilizar o parecer da área de registro civíl.
- Resumindo, procure por capitais de províncias bem desenvolvidadas, com oferta de imóveis e trabalho, de preferência com o suporte de algum conhecido que fale bem o idioma local. Mas repito, não há regra.
Pisa é capital da província de mesmo nome, tem uma grande universidade, comércio e indústria relativamente bem desenvolvidos, mas o turismo é um ponto negativo. Escolhi assim mesmo, porque minha mãe já estava morando aqui, o que facilitou muito minha integração a cidade. Já tinha lido o relato do Fábio, do blog Minha Saga, que fez sua cidadania aqui. Ele elogiou muito o profissionalismo das pessoas na comune, o que foi mais um fator para a minha decisão. Até agora, o maior ponto negativo realmente é o custo de vida, porque a falta de comunicação entre os órgãos públicos acredito ser a mesma de outras cidades.
Na próxima semana, nós começaremos a análise dos documentos no escritório de registros civis, pois o pre-requisito da residência na Itália já foi cumprido. Daí poderei dizer se Pisa é realmente um bom lugar.