18/03/2009

A Lili Chegou!

Gente já não aguentava mais de saudade dela. Nunca havíamos ficado tanto tempo longe, nestes mais de 12 anos de convivência. Mesmo no tempo em que mudei para São Paulo. Foi especialmente difícil, pela dificuldade de comunicação. Pisa é uma cidade do interior, aqui as lojas e Internet Points (Lan House) não funcionam até tarde como em São Paulo. Com a diferença de fuso horário de 4 horas ficava realmente difícil conversar com a Lívia em Belo Horizonte.

Além do mais, estas semanas foram de agenda apertada para ela, porque fez toda a mudança para BH, e aproveitou para se despedir da família e amigos. Para complicar (deixa eu reclamar um pouquinho, porque tem gente no Brasil que acha que estou passeando, tirando férias), fiquem em um albergue da juventude, a 30 min do centro, para pagar apenas E25, no qual só há telefone público. O resultado é com conseguimos nos falar por poucos minutos.

A ansiedade de vê la foi tanta, que fui mais cedo para Milão, já não podia mais ficar em Pisa sem ela. Olha como eu estava arrasado e como eu fiquei depois.

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A expectativa da passagem pela Aduana Italiana foi imensa. O voo atrasou e eu fiquei com o coração a 120 bpm, e olho vidrado na telinha do aeroporto. Tudo mundo ficou me olhando e pensado que eu devia ser maluco, quando tirei a foto abaixo, confirmando que o voo havia chegado. Mas em fim chegou!

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Foram 12 horas de voo, 4 de fuso horário e depois de mais 4 horas de trem para chegar em Pisa. Foi muito bom conseguir arrumar o apartamento para ela poder chegar e não ter que passar pelo albergue e república de estudantes como eu. Apesar de não ter luz, foi uma noite especial, como se vê nos sorrisos abaixo.

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Vamos as primeiras impressões da Lili sobre a Itália e a cidade de Pisa. “Quando cheguei, estava muito cansada devido ao tempo da viagem. A princípio não consegui curtir a chegada aqui, mas depois de dois dias de descanso e matada a saudade, caiu a ficha que eu estou aqui. A Torre de Pisa me pareceu mais torta do que eu achava, mas também mais bonita, devido aos detalhes dos entalhes das colunas no mármore de carrara, com sua beleza clara. O conjunto de monumentos da Piazza dei Miracoli me pareceu mais bonita que a torre em si.”

“O apartamento me surpreendeu pelo tamanho (achei que seria menor), sua ventilação, boa insolação e a vista. Ver as montanhas ao fundo, me consola, pois me faz recordar de BH, me dando aconchego maior aqui na Itália. Ao mesmo tempo, em razão da cidade ser muito plana e se ter sempre a visão das montanhas ao fundo, me faz perceber que não estou em BH.”

“Fiquei feliz e aliviada de rever o Neto, saber que ele me esperou neste tempo (sem arrumar uma italianinha viu vovó Lucinda e Rommel), me senti segura novamente. Mas ao mesmo tempo já estou com saudades da família e amigos do Brasil. Rever a Gigi também foi muito bom e ver que ela cuidou bem do meu maridinho.” DSC09577

15/03/2009

Cidadania Italiana, 2a. Etapa – começando na Itália – Permesso di Soggiorno!

Gente, quando estava enfrentando o Consulado Italiano em Belo Horizonte e São Paulo, eu achava que a burocracia deles era em função da falta de funcionários, prioridade pros brasileiros, ou qualquer coisa assim. Mas não é só no Brasil que há lentidão e a falta de informação.

Em geral os processos na Itália são muito organizados e rápidos, quando são frequentes ou seja, coisas do dia a dia deles. Mas quando é uma coisa incomum, eles ficam engessados; não tem este jeitinho que o brasileiro tem. Por um lado é bom, mas com processos diferentes como o da cidadania juris sanguinis a coisa dá uma travada.

Por exemplo, existe uma confusão de informações entre as repartições públicas que é uma coisa de louco. Para um estrangeiro entrar na Itália precisa do visto, se for brasileiro pode vir a turismo por 90 dias sem visto. É o meu caso. Mas quando chega aqui deve (no caso de visto de trabalho e estudo) ou pode (no caso da cidadania italiana), solicitar um documento chamado Permesso de Soggiorno, algo como permissão de permanência. Esta foi a primeira providência que se recomenda tomar no caso da cidadania (está em todos os blogs, fóruns, comunidades do orkut, etc.).

Pois bem, fomos eu e minha mãe a Comune, espécie de prefeitura e cartório ao mesmo tempo, e confirmamos que precisava do permesso e de uma residência na cidade. Sem isso não se entrega uma certidão. Em algumas imobiliárias que tinha ido no fim de semana, também me haviam pedido o permesso, para fazer algum contrato de aluguel. No dia seguinte, andamos a Questura, delegacia daqui, a fim de requisitar o famoso documento. Depois de 2 horas, descobrimos que não era lá, que agora se faz a requisição do permesso nos correios. Descobrimos também que a minha mãe devia ter feito logo quando chegou na Itália. Morremos de medo achando que o policial ia tomar alguma providência em relação a presença dela aqui, mas ele foi gente fina.

Depois de enfrentar mais filas nos correios, pegamos um tal de Kit Gialo, ou kit amarelo. Um calhamaço de umas 20 folhas de formulário para preencher, bem explicado, mas em italiano, claro. Parênteses (quem não fala o básico da língua não se atreva em uma destas). Formulários preenchidos, na hora de entregar, descobrimos que o xerox do passaporte não deveria ser só daquela parte principal, mas de todas as folhas! Agora só no dia seguinte, porque só funciona de manhã o atendimento ao público. E a maioria fecha por duas horas no mínimo, na hora do almoço. O pior foi que não deixaram eu entregar minha solicitação do permesso, alegando que como turista eu não preciso.

Ou seja, para entrar com a cidadania e ter permissão para ficar aqui eu preciso do permesso, mas não posso fazer porque sou turista? Não posso alugar sem o permesso, mas só tenho o permesso depois que tiver a cidadania. Calma não se apavorem, Jesus me abençoou demais para não me desesperar. E a novela continua. Voltamos então a Questura, que confirmou que a informação da funcionária do correio está certa. E que na Comune não deveriam me exigir o permesso. Voltamos a Comune e depois de falar com o chefe do setor, eles vão aceitar, desde que tenha a residência.

Ufa! Então é só achar um apartamento e convencer a imobiliaria e o proprietário a fazerem um contrato, para quem só pode ficar mais 70 dias na Itália. Você faria se estivesse alugando o seu imóvel?

Comecei a bater perna por toda a cidade, para encontrar o apartamento que eu possa pagar, mas que tenha um mínimo de conforto. Como falei no post “Falando um pouco sobre a cidade de Pisa”, como é uma cidade universitária e turística, é impressionante a quantidade de imobiliárias. O mercado de imóveis aqui é muito grande, porque tem muito giro.

Fácil né. Só Jesus mesmo. Estas primeiras semanas não foram fáceis.

14/03/2009

Meu apartamento, finalmente!

Bom pessoal, depois três semanas aqui na Itália, finalmente consegui um avanço significativo. Consegui fechar o contrato para o apartamento. Aqui na Europa, principalmente nas cidades históricas como Pisa, os apartamentos no centro são em edifícios antigos. Geralmente são pequenos e tem alguns problemas hidráulicos ou elétricos. E são muito caros. Por isso, resolvi fazer como os Pisanos, ir morar na periferia.

São precisos 2 km do centro, em uma região chamada Pisa Nova. Veja a foto de satélite com a localização:

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Preciso escrever outro post sobre as características da cidade de Pisa, para vocês entederem melhor. Mas o importante aqui é dizer que estar na periferia não quer dizer morar na “favela”, como em algumas cidades do Brasil. Aqui tem serviço público de transporte muito eficiente, servido por três linhas, sendo uma expressa que vai ao centro com 10 min. Também tem bons supermercados, farmácias, um excelente e enorme hospital, restaurantes e as famosas Tabachi.

Também é bom dizer que fico pertinho da casa da minha mãe, a 1,5 km. Apesar de ser considerada outra cidade – San Giuliano Terme – fica bem colado com a cidade de Pisa. Não dá para saber onde termina uma e começa a outra. O grande polígono no centro, é o chamado centro histórico, cortado ao centro pelo Rio Arno. Na parte norte deste centro fica a Piazza del Miracoli e a famosa Torre Pendente (também chamada Torre de Pisa).

Mas, voltando ao assunto do apartamento, tem dois cômodos, sendo um quarto, um banheiro e uma sala-cozinha-ingresso. Chamado bilocale. Também tem uma varandinha na sala, que deverá servir de área de serviço e de lazer. Tentei fazer um videozinho para vocês terem uma idéia, mas acabou ficando grande demais. Quem tiver paciência e alguns minutos disponíveis clique abaixo.

Embaixada do Pão de Queijo em Pisa

Aqui vamos passar os primeiros meses na Itália, para fazer nossa cidadania e nos preparar para fazer os mestrados, em Turim, Milão, ou sabe Deus onde. Para finalizar, uma curiosidade: estaremos a 8976,4 km da casa da minha sogra. Estamos quebrando totalmente a regra de que não deve-se morar tão perto para que a sogra vem de chinelos (1,5 km da Giselle), ou tão longe que ela vem de malas (9000 km da Anna). Orem por nós!

Distancia Pisa a Bh em linha reta

Falando um pouco sobre a cidade de Pisa

Pisa é famosa pela Torre Pendente, no aspecto turístico, além de outras construções históricas. Mas a cidade me surprendeu em vários aspectos que gostaria de compartilhar. Tudo que coloco aqui, foi o que ouvi de pessoas e pesquisei um pouco sobre a cidade.

DSC09278Foto: Dario Grossi

Não sei se vocês sabem, mas a união do Estado da Itália, aconteceu recentemente em relação a outras grandes nações. Aqui havia grandes reinos-cidades, em que reinavam ou governavam famílias importantes. A península então era constantemente invadida por outros estados mais organizados ou bárbaros. As cidades eram fortificadas com muralhas e tinham portas de saída que eram vigiadas todo o tempo. A República de Pisa, conhecida como república marinara, conserva estas características até o dia de hoje. São quatro as portas princiáis, a Lucca, ao Mar, a Florentina e a Nova.

A Praça dos Milagres (Piazze dei Miracoli) tem em seu conjunto a Catedral (Duomo), o Batistério e o Campanário, que na verdade é a famosa Torre Pendente. Também abriga o importante Museo da Catedral dentre outras atrações. E claro chineses vendendo buigingangas.

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Fotos: Dario Grossi

A cidade é cortada pelo Rio Arno, 3º maior do país com 400 km, tem algumas pontes e avenidas marginais importantes para o tráfico da cidade. São cindo pontes, sendo a mais movimentada a ponte di Mezzo (do meio), de onde se inicia a Corso Italia, via com as lojas mais chiques e caras da cidade.

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Foto: Dario Grossi

As principais lojas e outros estabelecimentos comerciais ficam nas grandes avenidas marginais (lungarno) ou nas que as cortam tanto na margem norte, quanto na margem sul. Aqui no centro ficam o Comune (prefeitura), praças importantes, teatros, Questura, Tribunal e a estação central de trem. A estação também é o principal ponto de partida das linhas de ônibus urbanos e interurbanos.

Pisa é muito conhecida na Itália por sua importante universidade, fundada no século 14, e frequentada por 65000 estudantes. Para uma cidade de 110000, a presença dos estudantes é realmente muito importante. Eles vem principalmente da região sul do país, porque aqui é uma cidade pacata, pequena, com uma boa infraextrutura de transporte (tem aeroporto internacional). Aqui no Centro da Itália, há uma receptividade maior aos italianos do sul, do que nas regiões de Piemonte e Lombardia, mais ao norte.

A presença dos estudantes provoca um número grande de labretas, vespas e de bicicletas, causando até congestionamento. Mas por outro lado, não conheço cidade que tem mais imobiliarias por m². Visitei quase duas dezenas delas e existem muito mais pelos bairros a fora. Isto facilitou bastante conseguir um contrato em meu nome.

Por fim, vale a pena vir visitar e ainda por cima, o por do sol aqui é maravilhoso.

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23/02/2009

Chegando na Itália, a porta de entrada não poderia ser mais maravilhosa: Milão

(Veja o álbum de fotos completo clicando acima)

Milão é tudo do bom! Bão de mais da conta, como se diz em BH. Uma cidade que consegue conservar o passado histórico com os benefícios da vida moderna de uma grande metrópole. Porém, sem o caos de trânsito e violência de São Paulo. Só para comparar um número entre as duas cidades, aqui são em torno de 3 milhões de pessoas contra 14 milhões.

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Quando cheguei aqui, minha mãe veio me receber para me levar a Pisa. Passamos aqui tres dias para conhecer umpouco a cidade e confesso que fiquei surpreendido positivamente. Depois que cheguei no dia 17, fomos direto para o Albergue da Juventude – Piero Rotta, que recomendo pela organização e relação custo benefício. Descansamos, fomos fazer umas pequenas compras e comer.

No segundo dia fomos a Scorso Buenos Aires, uma rua com muitas lojas de custo acessível para quem quer comprar roupas e acessórios com design italianos, mas não querem gastar muito. Como pegamos o final do inverno, foi bom pegar as promoções. Recomendo a loja Upim de departamento, com coisas boas e baratas. Quando forem fazer uma refeição, procurem sempre olhar os preços antes sentar a mesa. As vezes locais que não aparentam serem caros podem te levar 50 a 70 euros facilmente em um almoço para dois. Não tenham vergonha pessam Scusi (desculpas) e procurem mais. Outra dica, procurem restaurantes com menu turístico ou menu fisso (fixo), que com pouco dinheiro se tem uma refeição completa incluindo vinho ou água.

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Depois fomos conhecer o famoso Duomo. Literalmente quase cai ao não ver um degrau por estar babando na grandiosidade e imponência da construção. No outro dia fomos conhecer a parte interna, que também é fantástico. Se quiserem ver todas as fotos entrem no album de fotos da página inicial do blog. A praça do duomo é efervecente, com gente de todos os lugares do mundo e ao lado a Galeria Vitório Emanuele, palazzi (prédios) maravilhosos, e nestes dias em especial, um museu do rock, que nos presenteou com uma apresentação excelente de uma banda local.

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No dia seguinte fomos ao Castello Sforzesco, que pertenceu a família Sforza que governou ao reino/cidade de Milão. Impressionante as muralhas e o pequeno quintal de 300ha, que já foi até plantação de trigo durante a 2ª guerra, mas hoje tem toda a vegetação restaurada. Hoje funcionam bons museus e arquivos, que claro a museólaga que me acompanhava quis conhecer. Vimos até mumias egípicias.

Neste mesmo dia a noite fomos “salvar” nosso primo Beto Laguardia, que chegava a Milão para pegar sua cidadania italiana. Foi fantástico conhece lo porque ele foi o primeiro da família da minha mãe a buscar e conseguir juntar todos os documentos necessários. Teve a grande coragem de ficar em Milão por 3 meses, passando por dificuldades e sem conseguir emprego. Desde outubro vinhamos trocando mensagens e nos falando por MSN e finalmente nos conhecemos depois que ele retornou de suas férias no Brasil.

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No último dia em Milão vivemos o momento de alegria do Beto de conseguir a identidade italiana, que fiz questão de registrar. Também fomos a Via Tommaso Grossi, a fantástita Galeria Vitorio Emanuele e conhecer a parte interna do Duomo. A Galeria tem boutiques famosas, restaurantes cafés e muita, muita gente. Foi muito legal poder passar esse dia com o Beto e poder comemorar com ele a alegria. Espero em algumas semanas postar uma foto minha parecida com esta dele.

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Senti que esta é uma cidade que me agradaria muito morar, pela beleza, diversidade cultural e ser uma grande metrópole. Não deu para conhecer tudo em três dias, faltaram diversos museus importantes, o Teatro Scala, os parques, as feiras, mas tenho certeza que vamos fazer as oportunidades acontecerem para voltar aqui e conhecer mais um pouco.

Foram muito bons os dias passados aqui; não deu vontagem de ir embora não, mas o dever me chamava em Pisa. Tive que ser levado puxado pela orelha, ainda bem que minha mamãe estava lá.